Quando desenvolvimento e produção parecem a mesma coisa
Esta semana conversei com um empresário que desenvolveu um novo produto usando IA.
Durante a conversa, ele me disse algo que me chamou a atenção.
Na cabeça dele, desenvolver o aplicativo e colocá-lo em produção eram exatamente a mesma coisa. Bastava clicar em um botão.
E sabe qual foi a minha conclusão?
A culpa não era dele.
As ferramentas atuais fazem um excelente trabalho escondendo toda a complexidade. Elas passam a impressão de que desenvolver, publicar e operar um produto digital fazem parte de um único processo.
Enquanto o projeto é pequeno, isso realmente parece funcionar.
O problema aparece quando esse software deixa de ser apenas um experimento e passa a fazer parte da operação de uma empresa.
E nesse momento surgem perguntas que quase nunca aparecem durante o desenvolvimento:
- Como serão feitas as atualizações sem interromper o serviço?
- Como proteger os dados dos clientes?
- Como separar desenvolvimento, homologação e produção?
- Como monitorar a aplicação?
- Como fazer backup e recuperação?
- Como crescer sem que os custos aumentem de forma descontrolada?
- Como evitar ficar preso à plataforma utilizada no desenvolvimento?
Nenhuma dessas perguntas diminui o valor da IA.
Muito pelo contrário.
A IA tornou possível criar software em uma velocidade inédita. Isso é uma transformação extraordinária.
Mas velocidade de construção não elimina a necessidade de arquitetura.
Arquitetura continua sendo o que transforma um software em um produto capaz de evoluir, operar com segurança e acompanhar o crescimento de um negócio.
Essa conversa reforçou uma convicção que venho formando há algum tempo:
Criar software ficou muito mais fácil.
Arquitetura continua sendo indispensável.
Este é o primeiro registro do Diário de Arquitetura, onde pretendo compartilhar observações reais sobre os desafios de construir produtos digitais na era da Inteligência Artificial.